Sunday, February 05, 2006

Pelo meu Avô

Há dias, num funeral que assisti, foi pedido ao padre pela neta do falecido, se era possivel ler um poema, em jeito de homenagem ao seu avô, no momento de acção de graças. A resposta obtida da parte do padre foi: Não é litúrgico.
Eu questiono-me de que maneira é ou não litúrgico uma homenagem a uma pessoa que nos é querida e que queremos homenagear e lembrar nos últimos momentos em que vemos essa pessoa. Que ofensa será isso para liturgia? E será também litúrgico cantar cânticos em Latim onde ninguém percebe nada mas onde é suposto toda a assembleia participar? Não sou contra as tradições litúrgicas ou as regras de liturgia na eucaristia, mas acho que se deve adaptar estas regras aos dias e realidades de hoje sob pena de estarmos a dar grandes passaos atrás, num tempo onde cada falha da Igreja é usada como desculpa para o afastamento das pessoas.

Thursday, January 26, 2006

Abaixo o Cristo Rei

(...)

Outras incoerências, porém, decorrem de medidas recentemente tomadas e cuja oportunidade não discuto. O Governo decidiu que as escolas e outros locais públicos não devem ostentar símbolos religiosos, sejam eles de que credos forem. Está no seu direito. Mas, então, haja lógica e não se sirva esse mesmo Estado dos santos da Igreja Católica para celebrar grande parte dos seus feriados. De facto, enumeram-se seguidamente alguns deles Imaculada Conceição; nascimento de Cristo; santos católicos; morte de Cristo; ressurreição de Cristo; ascensão de Nossa Senhora; corpo de Cristo; feriados municipais em honra dos santos padroeiros.Para não referir, também, as cinco chagas de Cristo na bandeira nacional ou o monumento ao Cristo-Rei, que são símbolos evidentes de uma fé que, hoje, já não é oficial. Não será estranho, ou pelo menos surpreendente, que um país que aboliu os crucifixos nas escolas mantenha tão pouca neutralidade em relação a estes sinais ou aos descansos religiosos, obrigatórios mesmo para aqueles que não praticam qualquer credo?

(...)

Pegando neste texto, publicado no DN de 25/12/2005, que muito me marcou sugere-me tecer algumas considerações.
Aproveitando a deixa e seguindo o racciocinio da Dr.ª Helena, teremos assim dois casos mais retumbantes como os feriados municipais de Lisboa ou Porto que, a ver pelas leis do nosso Portugal, são cidades que deixariam de poder estar votadas a St.º António e a S. João. Mas qual seria então o nome a dar à Assembleia da Républica Palácio António de Arriaga? (substituindo S. Bento) Numa altura em que se mandou retirar todos os crucifixos (lembrado o estado não se sabe bem por quem) com a desculpa de uma maior pluralidade religiosa porque razão então não se dignifica, também todos os importantes feriados de todas as outras religiões em Portugal?

Sejamos coerentes e acabemos então assim com todos os feriados religiosos, e todas as frequesias, vilas e concelhos, de nome religioso mas todos mesmo.


O texto pode ser lido na integra em: http://dn.sapo.pt/2005/12/25/opiniao/bizarrias_um_estado_laico.html

Tuesday, January 24, 2006

O homem que queria ver a Deus


Prakash era um bom homem. Como ansiava ver a Deus face a face, ficou contentíssimo quando Deus lhe perguntou num sonho:
- Prakash, queres ver-me e conhecer-me?
- Claro que sim, respondeu, impaciente, Prakash.
- Pois bem. Ver-me-ás então. Lá na montanha, longe de tudo e de todos abraçar-te-ei.

(...)

Prakash subiu rapidamente a montanha onde marcara o encontro com Deus. Foi repetindo o seu discurso e, ofegante e cheio de expectativa, chegou, trémulo de esperança, ao cimo da montanha. Mas onde estava Deus? Não o via em parte alguma.

- Ó Deus, onde estais? Convidaste-me para vir aqui e eu vim. Cá estou! E Vós, onde estais? Não me decepcioneis. Por favor mostrai-Vos. Cheio de desespero, o homem prostrou-se por terra e começou a chorar. Então, de repente, ouviu uma voz, que descia retumbante das nuvens:

- Quem está aí em Baixo? Porque te escondes de mim? És tu, Prakash? Não te vejo. Porque te escondes? Que puseste entre nós?

- Sim, Senhor, sou eu, Prakash. Trouxe-te este precioso jarrão, a minha vida vem dentro dele. trouxe-o para Ti.

- Mas eu não te vejo. Porque hás-de esconder-te atrás desse enorme jarrão? Desse modo não nos veremos. Desejo abraçar-te. Portanto atira o jarrão fora, afasta-o da minha vista. Podes dá-lo a quem quiseres, mas livra-te dele. Quero abraçar-te, Prakash. Quero-te a TI.


Inconscientemente também pomos muitas vezes jarrões com pedrinhas que significam todas as boas acções que fazemos, entre nós e Deus, mas que conta isso? Será que é só isso que interessa? Quantas vezes olhamos apenas para nós e para tudo aquilo que de bom fazemos e esquecemos o outro que está logo ali ao lado e que precisava de ajuda mas nós continuamos o nosso caminho porque não tinhamos tempo. Será que realmente queremos ver a Deus?

Monday, January 23, 2006

Dedilhando

Hum pois! Rendi-me à blogosfera. Apeteceu-me hoje criar o meu próprio blog. Tenciono que este espaço seja de reflexão e debate de vários temas do dia-a-dia. Assuntos sérios, outros menos sérios. De preferencia usando o bom humor. E pronto seguiremos sempre em directo, sempre de radar no ar :D

Let the wind call's you